segunda-feira, 9 de junho de 2014

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De tanto que me tens, não dá valor
De tão pouco que me cuidas, logo perderá
Para onde se caminha um louco amor
Onde o fogo em cinza se transformou

Com tão belas palavras me cativaste 
Rosto exótico, quase angelical
Gestos amigáveis me demonstraste
Mas sabia eu que és quase fatal

Que num momento, tudo transforma
Mudando para sim o que era não
Como se tuas palavras fossem normal
Confundindo o que há no coração

Me fazendo ser o que não era
E agora não penso no certo
Deixa-me o inverno, vem a primavera
Trazendo chuva ao meu deserto

Eu sei bem que tudo se vai
Que onde há terra nascem flores
Do eterno amor, a lágrima cai
Então desperta-se todas as dores

Meu bem, eu sei, tu que cuidas de mim
Me dás o amor que nunca tive
Porém não faças mais assim
Trazer a dor a quem por ti vive

- Lembras da vida como era?
Passar os dias sempre a amar
Nada da história de bela e fera
E mesmo com pouco festejar...

Com o tempo, tudo se contraria
Talvez o amor transforme por certo
Linda noite, torpe dia
Querer ver longe o que está perto

Portanto não quero ao menos pensar
Teu corpo quente em outros braços
Outros lábios gentis a beijar
Perdemos tudo em outro acaso

Não quero que vás, sabes do que digo
Partiria meu coração, eu morreria
Pois és amante, és também amigo
Sem ti não há mais alegria

Por isso rogo-lhe: anjo volte a ser
Sê demônio em horas certas
Que o fogo venha a palha acender 
As portas ainda estão abertas

Como amigos, amantes então
Sendo teu corpo no corpo meu
Apenas nós e a paixão
Nossa casa, meu travesseiro no peito teu.



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