sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A Ti

Tu foste como uma ilha 
Onde, depois que nadei, fui parei
Ilha desabitada, devastada
Que me deixaste visitar

Cheguei e descobri belezas
Descobri terras estranhas
Solos que propicionam alegria
Visitei o cúme de tuas montanhas

Teu amor mostrou-me a vida
Foi um sopro inesperado
E mesmo que haja a partida
Estarás sempre ao lado

Foi como uma viagem intensa
Admirei a vista da janela
Foram tempos de alegria imensa
Tempos de completude bela

Embora poucos delas, conheçam
Vi de ti cada aresta, cada canto
Posso dizer sem arrependimentos
Que vi teu crescer, teu cantar e pranto

E mesmo que se interrompa
Nada é vão simplesmente
Pessoas estão sempre vagando
Deixando marcas, pegadas, sutilmente

Ciclos sempre se fecham
Para que outros possam começar
Não faça um muro, mas uma ponte
Deixe outros em tua ilha habitar

Grata sou pelo que foi vivido
E a ti apenas devo agradecer
Pois poucos tem a sorte
De amar alguém, sonhar e viver.

Luto



Sinto-me viúva deste sonho
De luto por esse amor
Tanto dele eu apanho
Que em mim transborda torpor

Encerro em meu peito o sentimento
Um enterro mais que silencioso
E da via eu me isento
Carregando este fardo doloroso

Um gosto amargo feito fel
Meus sentimentos já transfigurados
A dor tapa com seu véu
O meu corpo tão debilitado

A calma e a sensação de estar só
Velo a lembrança que também se vai
Até minha mente me abandona sem dó
E por meus poros a alegria se esvai

Eu velo a minha própria alma
Pessimista, carrego a desilusão
Abandonei a velha calma
Que me levava pela mão

Eu sou como uma flor
Que seca, desfolha e cai
E logo floresce com cor
Da semente nova vida sai.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Amar



Não podes dizer que amas
Se não te embriagar
Pois o sabor está e provar
Do calor da incessante chama

Teu amor deve ser profundo
E então deixará de ser sonho
Trazendo-te felicidade, eu suponho
E saberás que podes ter o mundo

Terás de vencer a razão
Provar beijos amargos e doces
E por mais sensato que fores
Deixa-te guiar pelo coração.

Permanência


Ainda tenho o teu sabor em minha boca
Na minha pele o teu perfume
Nos olhos, a luz de teus olhos
Que a iluminar meu dia se resume

Em minhas mãos provaste a vontade louca
O ácido num momento de ciúme
A ânsia descompensada de um amor
Que queima-me silenciosamente num ardume

Tiveste minha declaração, minha carícia
Tocando teu corpo sem nenhum segredo
Sem fim é este carinho que com medo
Ainda guardo aqui dentro. A malícia

De teus olhos poisando nos meus 
Arrebatando-me instantaneamente
Pequenas coisas que da minha mente não saem
Gozando a vida simultaneamente.


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

O Tempo e a Saudade


O tempo zomba de mim
Por tudo que eu esperei
E ele me enganou, bem sei
Quando esperava ter um fim

A saudade acha que a quero
E tenta fazer morada
De forma tão desentrelada
E num segundo, me desespero

A hora se nega a passar
Parece que o tempo parou
Mas eu sei que nada mudou
Desde quando te vi chegar

Mas agora estás tão distante
E o silêncio me faz companhia
E eu espero torpemente o dia
Que possa tê-lo num instante

Costumava achar que era forte
Que aguentava tudo calada
Porém me encontro amedrontada
Contando apenas com minha sorte

A saudade também é zombeteira
Com sua presença se vai
Ela se aproxima, brinca comigo e sai
Deixando-me por curto tempo, faceira

Então, de novo, cá estou eu
Com tempo de sobra e com saudade
E esta dura e insensata ralidade
Me impele para seu apogeu.

Dúvida



Sinto como se perdesse o rumo

Como se me perdesse dentro de mim
Não sei se fico ou se sumo


É esta vontade de gritar
Abafada pelo meu silêncio

Uma antítese a se formar

Quero livre poder correr
Mas ainda me sinto paralizada
ão se desse fato o por quê


Não quero ficar por aqui
E não sei como é por lá

Então como posso partir?

Talvez eu deva ficar
U mistério que me espera

E a coragem para mudar.

domingo, 26 de outubro de 2014

Duas Palavras



Tu podes ter tudo de mim
Se ao menos disseres: "eu quero"
Pois este meu amor é teu, sim
E não faço a ti nenhum mistério


Podes ser nuvem em meu céu
Acalma aqui tua alma inquieta
Paira teu rosto angelical sobre o meu
E descreveria tua beleza, sendo teu poeta


Admirado, receberias flores
Andaríamos juntos, sem nada temer
Mostre-me todas as tuas cores
E deixa, enfim, te envolver


Deixa-te levar pela ternura
Pela perdição, êxtase e prazer
Dar-te-ei toda minha doçura
Meu amor, dedicado a você


Poderíamos unir as almas em festa
Num ato de egoísmo, quem sabe
Mas apenas ciúmes me resta
E essa necessidade que em mim não cabe


Com paciência ainda espero
Consolo a quem sofre e não chora
Apenas duas palavras: eu quero
E estaríamos juntos agora.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Triste Idolatria

Tão incrivelmente arrebatador e divino
Que não creio ser simples e humano
O teu corpo que busco tocar
Singelamente como teclas de piano

Foste moldado, banhado ao luar?
Com luz do sol em pleno verão?
Sem controle, tremo pelo contato
Em êxtase, em total inquietação

És jeito de desconhecida fórmula
Lábios úmidos, de maneira tal
Mentém-me na sede, de súbito
Logo afogando-me de modo fatal

Como podes ter pele tão quente
Que causa a mim curiosidade?
E mesmo sem tocar-te, o beijo
No mundo que crio, minha verdade

Te dispo e imagino-te fielmente
Tal qual como és, num delírio
Que de repente faz-me triste
Por essa enganação, doloroso martírio

Dou-lhe adeus, mas não esquecerei
Tua importância não mensurável
Vou apenas abster-me do trabalho
De medir tua beleza incalculável.






quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Amor Platônico


Amor platônico, na tua perfeição
Transcendes este árido sentimento
Que desperta minha gratidão

Minha razão logo se expira
Amo-te por nada, apenas por amar
E pensando em ti, minha mente delira

A tua beleza é de fato, comportada
E faz parecer-te sem par
Em meio as outras, tão plagiada

Meus pensamentos, muito castigados
Engrandecem a ti por demais
E continua a ser desconsiderado

Admiro-te de longe, meu bem
Contentando-me em apenas ver-te
Como criança que admira o que não tem

Apenas em sonho tu és meu por inteiro
Mato a ânsia de ser tua, pois sou
Vítima desse sentimento zombeteiro.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Posse


Tenho o amor em minhas mãos
Possuo a mim, mas quero ser tua
Não ter essa tristeza em tempos vãos
Ver-te passar em minha rua

Tenho teus olhos, mas não teu olhar
Lábios, mas não teu sorriso
Tenho tua voz, mas quero ouvir teu falar
Tenho tudo, porém não o que preciso

Eu tenho braços, que não podem te abraçar
Tenho meus ouvidos que desejam lhe escutar
Eu quero aquilo que não posso ter

Tenho mãos com as quais quero acariciar
E esse coração que não pode te amar
E esses olhos que se contentam em te ver.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Insanidade



Abraça-me anjo da noite
Leva contigo essa dominadora solidão
O frio de que é feito meu catre
Que me envolve, sem compaixão

Esta desejo de ter-te por inteiro
Torna-se uma contínua obsessão
Tua presença inunda, conforta
Necessidade de minha doentia ilusão

Não o deixo em paz, em sonho
E nem a solidão deixa a mim
A confusão - do real ou não - deixa-me louca
Tudo o que vejo é negro. não mais carmim

É minha insanidade, minha doença
A paixão realmente nos rouba o pensar
O amor é deveras ladrão, egoísta
Sem ver meios só quer dominar

Essa noite eu vi teu rosto
Ao sorrir para mim, bela imagem
Pisquei um segundo e você se foi
E para encontrar-te, me perder tenho coragem

Me ponho então, em meu leito
Agarro a faca, encontro-me iludida
Se a meu lado não posso tê-lo, anjo
Terei-o então após a vida.

domingo, 21 de setembro de 2014

Eco



Teu nome continuará ressoando
No vazio inconstante de minha mente
Eu ainda escuto-te ecoando
Como uma onda que quebra suavemente

Sinto o calor  ávido da pele tua
Tão clara, macia, ao afagar tua face
E essa se torna minha tarefa árdua
Descrever em termos singelos, o ardor que nasce

Me encanta falar de ti, mas baixinho
É um ato fascinante, tão sincero
Esse teu sentir, louco, solitário
Desejar trocar juras, não mais ser áspero

Meu grito percorre o vácuo
E a mim, sem resposta, retorna
Incessante continuo a lida 
De mostrar encantos que o teu ego adorna

Encontro-me numa caverna, dentro de mim
Mantenho-me viva mesmo no escuro
Mas ainda atravessarei a ponte
E para te amar, pularei teu muro.

domingo, 14 de setembro de 2014

Traga-me Flores



Traga-me flores, amor...rosas
Para que de ti eu possa lembrar

Traga teu corpo para junto do meu
Para que em ti eu possa agarrar-me

Traga teu perfume gostoso
Para que com ele eu possa embriagar-me

Traz teu rosto e cola no meu
Pois em teu ouvido vou sussurrar

Traga-me tua luz a meu caminho
Porque contigo quero caminhar

Traga-me a paz, tua calmaria
Pois sem ti fico sem vida a vagar

Vem com tua beleza sublime
E eu a poderei admirar

Me dá teu abraço, teu peito
Quero loucamente me aconchegar

Demostra teu desejo por mim
E vamos logo nos saciar

Traz junto tuas angústias, tristezas
Que eu poderei lhe acalentar

Vem com teus medos, querido
Para que juntos possamos lutar

Vem com tuas lágrimas
E eu tentarei todas elas secar

E estes teus pesadelos insanos
Em sonhos prometo transformar

Coloca teu coração em meu peito
Pois aqui é o teu lugar

Por fim, apenas quero o teu amor
Para que ansiados possamos nos completar.



terça-feira, 9 de setembro de 2014

Abdicação



Toma-me pela mão, querido 
Chama-me de tua, pois quero ser
Tais tempos de sofregdão já idos
E meu desejo teme se perder

Meus fardos sombrios e pesados
Em minhas mãos tão calejadas
Um suspiro meu, assim desolado
Pelas palavras não pronunciadas

Como morrer num dia frio
Corpo e alma juntos falecem
Nesse gélida espera, um calafrio
Minhas tentativas de roubar-te, padecem

Seguro-me a ti, ó belo
Teu ser pode fazer-me o bem
Mesmo que imaginário seja o elo
Em nosso silêncio se mantém

Abdico de mim, de meus medos
Abdico desse meu sonho supremo
Desse meu deprimente enredo
Abdico da solidão, e a temo.

domingo, 31 de agosto de 2014

Engano


Deparei comigo mesma após tempos
Diante dos pedaços que me compõem
Do fantasma perambulante que me tornei
Dividindo espaço com as dores que corroem

Estes dias se tornam meu tormento
Dias de desesperança absoluta
Onde o fim é esperado com soluços
De um choro incessante vindo da luta

Respirei o ar do amor, inebriante
Embriaguei-me em todo o teu pecado
Senti o perfume putrefato do teu abandono
Não é o suficiente sentir-me admirado

Sobrou parte de mim, frustrações
Meus inúmeros arrependimentos, dores
Ir longe demais e impetuosamente
Ser privado de loucos amores

São só meus cortes, expostos, sangrando
Todos resultado de meus tropeços
Derramando lágrimas por todo o rosto
Dor tal que apunhala e então padeço

Esgotou-me o estoque de risos
Para lutar, talvez se fez tarde
Convicta desse terrível carma estou
Presa em amores, então, sem validade

Não há compreensão, caminho sem rumo
Talvez estive perdido mesmo em sonho
Onde pensei haver apenas rosas
Em folhas secas que contava risonho.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Sensualidade



É uma noite fria, sono já deixado
Eu ouço a música que toca sem parar
Que me envolve de modo surpreendente
Fazendo meu corpo querer dançar

Encontro-me sozinha, te desejando
E sobriamente querendo uma bebida
Apenas alguns goles, quem sabe
Me deixariam pouco mais desinibida

Esse clima que não aguento
Que me faz ficar em chamas
Desejando teu toque leve, lento
A sedução me envolve em sua trama

Me passou pela mente mil vezes
Como seria com você aqui...
Apenas eu, você e esse som
Sem hora nenhuma de partir

A noite é longa para dois
Nem precisaríamos dormir
Tome um gole, chegue mais perto
Essa não é a noite para se redimir

O pecado me ronda quieto
Nessa harmonia envolvente entre batidas
Incitando de modo iminente a sensualidade
Não há como negar essa vontade despida.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Belezas


Das flores que cheirei
Nenhuma possuía teu perfume
Que toca tua pele e se espalha
Com o vento, de quem tenho ciúmes

Das pedras mais preciosas
Nenhuma a tua preciosidade se compara
Teus olhos são de um verde pleno
Encontrado apenas numa joia rara

Dos sabores mais doces que provei
O mel torna-se azedo comparado a tua boca
Pois de tão macia e ávida
Tocando a minha, deixa-me louca

Nem que eu dormisse em nuvens
Me confortaria mais que em meu leito
Pois o céu deixa a desejar
A alguém que se deita em teu peito.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Pensei


Pensei em correr, para teu colo talvez
Me embalar, embriagar de alegria
Sentir o calor de tua pele
Tocando a minha, fria

Pensei em beijar-te avidamente,
Mas traiçoeira é tua boca
Que foge da minha, arduamente
Que cansa e te chama, louca

Pensei me abraçar-te firme
Guardar-te em meu peito
Porém não me atrevo, moço
A roubar-lhe deste jeito

Pensei na junção dos corpos
Pelo ritmo da música, embalados,
Mas não pude descrever o ato
Pois seria o maior dos pecados

 Pensei em nós dois, só nós sabemos
Do sentimento que nos ronda
Pensei de novo e me refiz
Não me afogarei na tua onda

Pensei em desistir, já cansada
Calada, não nego que recordo
De teus olhos que deixei, longe
Que trazem-me vida quando acordo

De tanto pensar, ainda materializo
Para pôr fim a essa agonia
Será a chance de ter-te sempre perto
Pôr nossos corações em sintonia.







terça-feira, 12 de agosto de 2014

Sem Medo



Não me importo em tropeçar
Cambalearei até você
Esqueço o equilíbrio, o andar
E caio em teus braços, meu lugar 
Só não quero me perder

E mesmo de modo errado
Eu tentarei caminhar
Para estar a seu lado
Com meu corpo cansado
A espera de te abraçar

Sei que posso me molhar
Não me amedronta a tempestade
Que em teu beijo me embriagar
Em teu colo me esconder e morar
Fugir dessa terrível e assustadora saudade

E mesmo que dure pouco
Eu posso lhe assegurar
E mesmo que eu fique louco
Que grite até ficar rouco
Eu continuarei a te amar.