domingo, 26 de outubro de 2014

Duas Palavras



Tu podes ter tudo de mim
Se ao menos disseres: "eu quero"
Pois este meu amor é teu, sim
E não faço a ti nenhum mistério


Podes ser nuvem em meu céu
Acalma aqui tua alma inquieta
Paira teu rosto angelical sobre o meu
E descreveria tua beleza, sendo teu poeta


Admirado, receberias flores
Andaríamos juntos, sem nada temer
Mostre-me todas as tuas cores
E deixa, enfim, te envolver


Deixa-te levar pela ternura
Pela perdição, êxtase e prazer
Dar-te-ei toda minha doçura
Meu amor, dedicado a você


Poderíamos unir as almas em festa
Num ato de egoísmo, quem sabe
Mas apenas ciúmes me resta
E essa necessidade que em mim não cabe


Com paciência ainda espero
Consolo a quem sofre e não chora
Apenas duas palavras: eu quero
E estaríamos juntos agora.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Triste Idolatria

Tão incrivelmente arrebatador e divino
Que não creio ser simples e humano
O teu corpo que busco tocar
Singelamente como teclas de piano

Foste moldado, banhado ao luar?
Com luz do sol em pleno verão?
Sem controle, tremo pelo contato
Em êxtase, em total inquietação

És jeito de desconhecida fórmula
Lábios úmidos, de maneira tal
Mentém-me na sede, de súbito
Logo afogando-me de modo fatal

Como podes ter pele tão quente
Que causa a mim curiosidade?
E mesmo sem tocar-te, o beijo
No mundo que crio, minha verdade

Te dispo e imagino-te fielmente
Tal qual como és, num delírio
Que de repente faz-me triste
Por essa enganação, doloroso martírio

Dou-lhe adeus, mas não esquecerei
Tua importância não mensurável
Vou apenas abster-me do trabalho
De medir tua beleza incalculável.






quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Amor Platônico


Amor platônico, na tua perfeição
Transcendes este árido sentimento
Que desperta minha gratidão

Minha razão logo se expira
Amo-te por nada, apenas por amar
E pensando em ti, minha mente delira

A tua beleza é de fato, comportada
E faz parecer-te sem par
Em meio as outras, tão plagiada

Meus pensamentos, muito castigados
Engrandecem a ti por demais
E continua a ser desconsiderado

Admiro-te de longe, meu bem
Contentando-me em apenas ver-te
Como criança que admira o que não tem

Apenas em sonho tu és meu por inteiro
Mato a ânsia de ser tua, pois sou
Vítima desse sentimento zombeteiro.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Posse


Tenho o amor em minhas mãos
Possuo a mim, mas quero ser tua
Não ter essa tristeza em tempos vãos
Ver-te passar em minha rua

Tenho teus olhos, mas não teu olhar
Lábios, mas não teu sorriso
Tenho tua voz, mas quero ouvir teu falar
Tenho tudo, porém não o que preciso

Eu tenho braços, que não podem te abraçar
Tenho meus ouvidos que desejam lhe escutar
Eu quero aquilo que não posso ter

Tenho mãos com as quais quero acariciar
E esse coração que não pode te amar
E esses olhos que se contentam em te ver.