quarta-feira, 16 de julho de 2014

Espero


A ansiedade me consome por dentro
Como um verme que escava a terra
Misturando todos esses sentimentos
Deixando meus neurônios em guerra

Esta instância em que me encontro
Que me sustento por obrigação
E mantenho tudo dentro
Traz-me imensa insatisfação

Estou presa em meu próprio cárcere
Não há como fugir de mim
Essa grade fria que me fere
Sei que é imaginária, enfim

Fico na encolha, esperando o momento
De ter-te em meus frágeis braços
De aninhar-me em teu peito, sedento
Por acompanhar teus passos

Teu corpo é escupido de sedução
Escolhi para mim tua silhueta
Em cada curva, há perdição
És por certo, uma divina estatueta

Os dias tiram de mim, tua beleza
O martírio me abala, tal qual a agonia
E me açoita a áspera incerteza
Traga-me de volta a doce sinestesia

Enquanto espero o agraciado momento
Fico aqui, só eu com meu amor
Que não serve de argumento 
E possui-me com ardor.



quinta-feira, 10 de julho de 2014

Escapatória


As vezes não sei se ponho-me a escrever
Quanto mais escrevo, mais sinto
São linhas que formam meu ser
Sentimentos que em linhas pinto

Por mais que os transcreva
Que descreva o que penso
Nunca é o suficiente
O sentimento é sempre denso

E toda noite é igual
Evito a hora de dormir
A solução agora para mim
Seria de mim mesma fugir

Porém como eu poderia
As minhas sombras  estão a me perseguir
Acompanhadas de meus demônios
Que incessantemente lutam para sair

Mas sou vencida inúmeras vezes
As lágrimas vem meus olhos banhar
Eu me deito com pálpebras pesadas
Esperando o pesadelo começar.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Mais Um Dia



Não sinto o tempo passar
Mas sinto o vento soprar
Fazendo estrago em mim


Então eu faço um pedido
Que tudo faça sentido
E tudo se ajeite, enfim


Me sinto mais diferente
Com a alegria as vezes ausente
Dando ligar a uma agonia


Foi mais um dia perdido
Queria ter esquecido
Quisera que fosse só mais um dia.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Eu III



Meu coração é cheio de remendos
Minha mente é uma confusão
Nasci com dois pés esquerdos
E as coisas escapam das minhas mãos

Eu sou feita de livros
Das tantas decepções que sofri
Sustentada pelos sonhos que tenho
Sou o resultado do que vivi

Eu tenho medo de altura
E nem ao menos sei dançar
Descordenada por natureza
Sempre tentando me adaptar

Eu sempre me canso das pessoas
Todas me parecem tão fúteis
Não possuo tamanha inteligência
Mas meus pensamentos são úteis

Eu vivo sempre perdida
Tropeço em meus próprios pés
Tento equilibrar as coisas
Mas meus sentidos a mim, não são fiéis

Tenho meus muitos, pequenos problemas
Passo por desequilibrios emocionais
Dizem que sou por demais pessimista
Só me preparo para o pior, nada demais

Não queria ter minha mente
Queria as vezes fugir de mim
Minhas músicas, minhas emoções
É que me fazem ser assim

Estou quase sempre insegura
E pergunto sempre o "por quê"
Meus passos não são firmes
Eu sou fácil de se aborrecer

Meus pemas não são os melhores
A minha memória me deixa na mão
Sou feita de alegrias e tristezas
Eu sou sempre uma confusão.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Carta a Meu Antigo Amor



Mesmo que pra mim o sol já não brilhe
Seus olhos verdes permanecem claros
Seus belos olhos que conheço melhor que os meus
Que tem a luz penetrante...cega e constrange
Olhos que despem, hipnotizam e arrebatam
Que descobriram meus mais profundos medos
São esses mesmos olhos, seus lindos olhos
Que me conduzem a perdição
Ao nada. Após a luz que se apaga
Levando-me por caminhos sem volta
O teu sorriso...ah, teu sorriso!
Haverá algo mais inebriante?
Nos teus lábios onde me envolvi
No teu beijo, que roubou minha vergonha
Na tua boca de palavras doces
De pureza até então encoberta
Foi essa mesma boca, que me disse palavras simples,
Mas de grande poder de desmoralizar
Lábios mentirosos, engenhosos e bem-dizentes
Boca que rouba, atrai, desfaz
Com graça, me pegou pela mão
Me ergueu e empurrou-me para o chão.

Meu Pássaro Azul

              
                                               I

Qual é meu pássaro azul?
Eu agora sei o nome
Eu lhe direi na hora propícia
Guardarei-o bem para que ninguém roube


Eu não fui dura com ele
Porém o quis expulsar
Mandei-o ficar calado
Mas não o pude controlar


Meu pássaro tem vida própria
É ele quem manda em mim
Não o coloquei numa gaiola
Ele sempre foi livre assim


Ele voa até você e volta
Sussurra segredos em meu ouvido
Depois se aquieta e dorme
Sabe bem que as vezes duvido


Ele é esperto, porém tão bobo
Já foi muitas vezes enganado
Seu voo é demasiado turbulento
Voa longe e acaba machucado


Esse meu pássaro quer cuidado
Já se cansou de apanhar
Já não pode voar sozinho
Procura um ninho posar


É tão medroso, frágil também
Eu diga: espera: não fique ansioso
Mas ele não se contenta 
Por ser tão ambicioso


Ele quer ganhar o céu
Mesmo sabendo ser perigoso
Meu pássaro não pensa, sente
Quer se arriscar, ser grandioso


 II

Eu o negava e me arrependo
Deixei-o tomar conta de mim
Ele disse que eu ficaria bem
Que se arriscar pra ser feliz não é ruim


Num segredo ele me disse
Que sentia saudades de alguém
Sussurrou seu nome em meu ouvido
Eu me dei conta que sentia também


Eu descobri porquê é azul
Azul é a cor da harmonia
Assim é ele... tão sereno
Como o azul do mar em monotonia


Ele habitava em meu coração
De vez, resolveu me abandonar
Num voo distraído, sem pretensão
Te encontrou e não quer voltar


Ele quer matar aquela saudade
Talvez tenha encontrado um lar
Há tempos não me pertence
Porém demorei a enxergar


Pois então, eu o entregarei 
Todos enfim o conhecerá
Me dei conta que já o conhecia
Só não quis seu nome pronunciar


Agora eu devo perguntar
Do seu pássaro, qual é o nome?
Façamos então uma troca
O sue pelo meu, tome...