Deparei comigo mesma após tempos
Diante dos pedaços que me compõem
Do fantasma perambulante que me tornei
Dividindo espaço com as dores que corroem
Estes dias se tornam meu tormento
Dias de desesperança absoluta
Onde o fim é esperado com soluços
De um choro incessante vindo da luta
Respirei o ar do amor, inebriante
Embriaguei-me em todo o teu pecado
Senti o perfume putrefato do teu abandono
Não é o suficiente sentir-me admirado
Sobrou parte de mim, frustrações
Meus inúmeros arrependimentos, dores
Ir longe demais e impetuosamente
Ser privado de loucos amores
São só meus cortes, expostos, sangrando
Todos resultado de meus tropeços
Derramando lágrimas por todo o rosto
Dor tal que apunhala e então padeço
Esgotou-me o estoque de risos
Para lutar, talvez se fez tarde
Convicta desse terrível carma estou
Presa em amores, então, sem validade
Não há compreensão, caminho sem rumo
Talvez estive perdido mesmo em sonho
Onde pensei haver apenas rosas
Em folhas secas que contava risonho.



