quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Insanidade



Abraça-me anjo da noite
Leva contigo essa dominadora solidão
O frio de que é feito meu catre
Que me envolve, sem compaixão

Esta desejo de ter-te por inteiro
Torna-se uma contínua obsessão
Tua presença inunda, conforta
Necessidade de minha doentia ilusão

Não o deixo em paz, em sonho
E nem a solidão deixa a mim
A confusão - do real ou não - deixa-me louca
Tudo o que vejo é negro. não mais carmim

É minha insanidade, minha doença
A paixão realmente nos rouba o pensar
O amor é deveras ladrão, egoísta
Sem ver meios só quer dominar

Essa noite eu vi teu rosto
Ao sorrir para mim, bela imagem
Pisquei um segundo e você se foi
E para encontrar-te, me perder tenho coragem

Me ponho então, em meu leito
Agarro a faca, encontro-me iludida
Se a meu lado não posso tê-lo, anjo
Terei-o então após a vida.

domingo, 21 de setembro de 2014

Eco



Teu nome continuará ressoando
No vazio inconstante de minha mente
Eu ainda escuto-te ecoando
Como uma onda que quebra suavemente

Sinto o calor  ávido da pele tua
Tão clara, macia, ao afagar tua face
E essa se torna minha tarefa árdua
Descrever em termos singelos, o ardor que nasce

Me encanta falar de ti, mas baixinho
É um ato fascinante, tão sincero
Esse teu sentir, louco, solitário
Desejar trocar juras, não mais ser áspero

Meu grito percorre o vácuo
E a mim, sem resposta, retorna
Incessante continuo a lida 
De mostrar encantos que o teu ego adorna

Encontro-me numa caverna, dentro de mim
Mantenho-me viva mesmo no escuro
Mas ainda atravessarei a ponte
E para te amar, pularei teu muro.

domingo, 14 de setembro de 2014

Traga-me Flores



Traga-me flores, amor...rosas
Para que de ti eu possa lembrar

Traga teu corpo para junto do meu
Para que em ti eu possa agarrar-me

Traga teu perfume gostoso
Para que com ele eu possa embriagar-me

Traz teu rosto e cola no meu
Pois em teu ouvido vou sussurrar

Traga-me tua luz a meu caminho
Porque contigo quero caminhar

Traga-me a paz, tua calmaria
Pois sem ti fico sem vida a vagar

Vem com tua beleza sublime
E eu a poderei admirar

Me dá teu abraço, teu peito
Quero loucamente me aconchegar

Demostra teu desejo por mim
E vamos logo nos saciar

Traz junto tuas angústias, tristezas
Que eu poderei lhe acalentar

Vem com teus medos, querido
Para que juntos possamos lutar

Vem com tuas lágrimas
E eu tentarei todas elas secar

E estes teus pesadelos insanos
Em sonhos prometo transformar

Coloca teu coração em meu peito
Pois aqui é o teu lugar

Por fim, apenas quero o teu amor
Para que ansiados possamos nos completar.



terça-feira, 9 de setembro de 2014

Abdicação



Toma-me pela mão, querido 
Chama-me de tua, pois quero ser
Tais tempos de sofregdão já idos
E meu desejo teme se perder

Meus fardos sombrios e pesados
Em minhas mãos tão calejadas
Um suspiro meu, assim desolado
Pelas palavras não pronunciadas

Como morrer num dia frio
Corpo e alma juntos falecem
Nesse gélida espera, um calafrio
Minhas tentativas de roubar-te, padecem

Seguro-me a ti, ó belo
Teu ser pode fazer-me o bem
Mesmo que imaginário seja o elo
Em nosso silêncio se mantém

Abdico de mim, de meus medos
Abdico desse meu sonho supremo
Desse meu deprimente enredo
Abdico da solidão, e a temo.