terça-feira, 24 de junho de 2014

Refugio



Refugiu-m em tua porta 
A espera de me deixares entrar
Que em teu coração possa morar
Antes que a esperança esteja morta


Aconchego-me em teus braços
Para que lá eu faça morada
Deixa-me ali, quietinha, calada
Me embala, me amarra em teus laços


Meu corpo é fio, quer teu calor
Tu vieste me socorrer?
Tenho medo de padecer
Sem poder ter teu amor


Deixa-me fazer ninho em tua cama
Fazer de tua pele minha roupa
Mesmo antes que eu fique louca
Que enlouqueça com meu drama


Refugia-me em teu peito
Deixa teu coração guardar o meu
Pois nada ainda se perdeu
E nós dois daremos um jeito

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Meu coração




O meu coração está aqui dentro
Ciscando nos destroços do meu coração
Meu sonho é um sobrevivente
Na terra destruída pela desilusão


Meu coração anda pelas ruas
Esperando que você possa passar
Minha esperança as vezes as abala
Mas insiste sempre em voltar


Meu coração não tem asas, nem direção
Ele te vê e parado ali fica
 Meu orgulho é impedimento
Mas meu silêncio por ti suplica


O meu coração se fere fácil
Confia e é deixado de lado
Se ausenta, depois dá as caras
Pra me salvar antes do terminado


E o meu amor está bem longe
Não sei se sente o mesmo que eu
Porém espera entre os destroços
O momento de poder ser teu...

Sem Sentido




As palavras pairam na minha mente
Quando penso nelas, fogem de mim
Como poeira ao vento
Ultimamente tem sido assim


Toco o tédio com meus dedos frios
Meus demônios zombam da minha solidão
Minhas cicatrizes não estão na minha pele
Desejos profanos passam por minha mente


O frio na alma me aperta
Em um profundo sono me encontro
De um sopro de vida necessito
Mudar tudo o que levo aqui dentro


Serena, melancólica e também nostálgica
Um arrepio repentino percorre minha espinha
Suas lembranças me invadem todo dia
E fica tudo no ar, perdido na entrelinha


O que me abate é essa mistura
De saudade e de bem querer
A angústia vem e em mim se agarra
Isso é muito mais que sofrer


A ansiedade tem sido companheira
Diz que não me deixará
Mas com ela não me preocupo
Pois a saudade nos unirá.

Escrever




Me debruço sobre essa folha
Na tentativa de assombrar o tédio
Não sei se terei êxito, 
Mas escrever é meu remédio


É uma longa noite chuvosa
Em que me sinto já bucólica
A solidão pra nada me arrasta
Me fazendo esquecer de ser dogmática


Eu tento ordenar meus pensamentos
Pôr tudo e uma linha
Numa ordem alfabética talvez
Pra não me sentir sozinha


Eu faço esforço, estou tentando
Me abster desse meu vício,
Mas a insônia me pega de jeito
Me pressionando desde o início


Então enfim pus-me a escrever
Vencida pela necessidade
Onde o sono me abandona
E transforma essas linhas em prioridade.

Queimando




Querido, me sinto queimando
Desejando teus longos braços
Teus laços que me envolvem inteira
Faceira por não ter cansaço


Beije-me antes de ir embora
É chegada a hora de me despedir
Partir é sempre a triste parte
Na verdade, não quero ir


Eu posso sentir no ar
O pesar, de tê-lo distante
O instante que voa, sem diálogo
O prólogo de meu sentimento inebriante


Sinto-me elétrica agora
É a hora que estás presente em mim
Enfim, eu tenho aquela tristeza
Acompanhada da certeza de te ter antes do fim. 

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Considerações




Que esse tempo de espera se esgote
Que essa ânsia por ti seja preenchida
Essa torturante ausência me abala
Desde o momento precoce da partida


Que esse sentimento seja compartilhado
Seja alegria, amizade ou amor
Não cobrarei de tempo o sentimento
Tampouco a ti, seja o que for


E não ouso chamar-te de meu
Se não possuo ainda teu coração
Porém anseio dividir contigo um dia 
Isto que sinto, colocarei-me em tuas mãos


Não direi pobre de mim se ficar só
Nem ódio terei se a resposta for não
Apenas peço que leves em consideração
Que não posso vê-lo de jeito tão vão


Que sofro de um mal, é verdade
Mal aquele que não possuo o que anseio
Tu és uma dessas coisas desejadas
E sou obrigada a esperar, não há outro meio


Pena teus olhos não polsarem nos meus
Que teu abraço não necessita de mim
Dizes que a saudade de mim persiste
Então por quê continuas longe de mim?


Desejando que enlouqueças por falta minha
Que não consigas sem mim dormir
Que eu remédio seja me corpo
E que enfim, possamos nos consumir.


terça-feira, 17 de junho de 2014

Reviver



Reli todas as linhas antigas
Redescobri sentimentos reprimidos
Revivi todos os fatos
Que até então havia esquecido


O pior é que não lembrava
De tudo aquilo que escrevi
Me dei conta da importância
De transcrever o que senti


As vezes sinto saudade
De tempos em que não pensava
Que era necessário descrever
Tudo o que comigo se passava


É um misto de angústia e contentamento
É exatamente tudo aquilo reviver
Sofrer, chorar, sorrir pelas linhas
Que pus no papel para padecer


Cada linha um sentimento
Cada verso um pedaço de mim
Cada estrofe um alguém 
Que sentiu e sofreu até o fim


Voltei no tempo e senti cada dor
Lembrei de tudo o que sucedeu
Matei cada sentimento, toda saudade
E percebi que no fim, quem morrei fui eu.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Despedida



A despedida é um martírio
Acompanha essa imensa saudade
Que inunda meu peito antecipadamente
Transformando tudo em ansiedade


Ver teu olhar se afastar aos poucos
Não poder sentir teu coração bater
Sentir-te longe através de uma janela
E era uma longa estrada a percorrer


Tão fria me senti, subindo aqueles degraus
Como se parte de mim houvesse ficado
Um pedaço do meu coração talvez
Que com o seu eu deixei trancado


Foi longa a viagem, mas enfim cheguei
A cada hora passada, uma eternidade
Porém em teus braços o tempo foi escasso
E agora sofro com essa maldita saudade


Queria poder ter-lhe dito antes
Da minha felicidade em sua companhia
Dos momentos mágicos que passei
Dos nossos momentos em terna alegria


É tão difícil ter que dizer adeus
Quando se quer realmente ficar
Porém teu rosto visto daquela janela
Me deu a certeza de querer voltar.

domingo, 15 de junho de 2014

Eletricidade



É só olhar pra você que voam faíscas
Como uma corrente elétrica em alta voltagem
São correntes alternadas, do teu corpo para o meu
Fonte insaciável onde perco a dosagem

Teu corpo é feito de energia
Posso ouvir os sinos tocando
Anunciando sua chegada, por seu andar
Logo nossos corpos estão queimando.

sábado, 14 de junho de 2014

Dias



Há dias em que tudo fica escuro
Colocamos as decisões em cima do muro
E tudo fica bem, o sol é certeiro
É um dia de chuva, não o ano inteiro

Há dias em que tudo morre
O vento sofra, o rio core
Mas lá fora ainda há vida
Uma árvore não se acaba por uma folha caída

Há também, dias de loucura
Há insanidade num momento de ternura 
Em outros dias, a calmaria se aglomera
Junto com um novo dia de espera.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Sem Título



Não pense que te excluo 
Ou que deixo de te querer
Bem sabes o que sinto
Então trate de me entender


O que passas, já passei
Entendo o que pode ocorrer
Numa dessas tuas crises
Posso então perder você


Se o desespero logo bate
Tens meu ombro para desabafar,
Mas mantenha em sua mente
Que também tens que te ajudar


Se o fundo do poço tocas
O que fazes é apenas subir
Se chegastes já tão baixo
Não há por quê desistir


A mente é traiçoeira
Das palavras somos refém 
Não deveria ter-lhe dito aquilo
Pois sei que não te faz bem...

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Antes de Dormir



Que ladrão é o tempo
Insiste em levá-lo de mim
Tão cruel é este sono
Que te possui, ó querubim

Acostumar-me não sou capaz
Prezo tua terna companhia
Que quando tal hora se aproxima
Padeço nessa brutal agonia

Deita-te enfim na tua cama
Que ela te vele então
Que tudo seja propício
Para que possas sonhar, paixão

Que passe a noite, que tenhas paz
Longe de mim, meu singelo carinho
Aninha-te em teu travesseiro
E não te sintas sozinho.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Desabafo II



Enquanto não vivo, escrevo
Suplico uma chance ao amor
Descrevo coisas bonitas,
Mas que resultam sempre em dor

Transcrevo em tantas linhas 
O que comigo se passou
O que poderia ter existido
Também o que não se concretizou

São sentimentos, fragmentos de mim
Descrições do que nunca pude falar
Devaneios de minha mente insana
Peso maior do que posso suportar.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Ingratidão



É tudo tão complicado
Viver de fazes vem me matando
É um dia diferente do outro
Num você ri, no outro está chorando


Pensa em mim e me chama
Faz-me juras que não convém
Diz-me estar agradecido
Por mim, que te faço bem


Este tempo é tão valioso
E passa tão rápido, você diz
Ter-te em minha vida 
Me faz sentir mais feliz


Em outro momento a tristeza abraça
Te faz pensar em desistir
Não deverias pensar tal coisa
Pelo amor que me dizes sentir


Sabes que tem a mim, meu abraço
Me tens tão fácil, não dá valor
Então tente ser forte sozinho
Pois não volto se um dia for...

Saudade




A saudade é como um castigo
E a ansiedade como um açoite
Dos momentos vividos contigo
E da plena das noites


Transborda em meu peito
Sentimentos que não ouso classificar
Pra quê dar nome ao que foi feito?
Se perfeito é como está!


Somos almas deveras carentes
De um desejo sem fim
Vítimas do cotidiano inconsequente 
Que logo te ausenta de mim


Se te anseia, saibas que a mim também
Te ter tão longe é desolador
Espero que a ti faça bem
Isto que não chamas de amor.

Me Roube




Queria ser roubada por ti
Ser guardada em teu bolso 
Ser protegida e te proteger,
Mas dizer-lhe, não ouso


Me tranque em seu coração
Do teu lado quero caminhar
Como uma só canção
Que juntos poderemos entoar


Mesmo que de modo desajeitado
Segurarei a tua mão
Num longo abraço apertado
Esqueceremos da solidão


Dançaremos juntos a luz da lua
Contemplaremos a grandeza do céu
O contentamento em ser tua
Não será maior do que você ser meu.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Confissão III



Talvez eu deva dizer 
Que adoro seu sorriso
Seus lábios a se mover


Que faz falta sua risada
Até as piadas sem graça
E as horas sem dizer nada


Teus olhos enxergam fundo
Me despem a me mirar
Voltados sempre ao mundo


Enfim, agarra-te a mim
Para podermos juntos viver
Antes que tudo tenha um fim.

Novo Encontro



E tão de repente foi que
Perplexa fez-me ficar
Tantas palavras trocadas, porém
O sentido estava em te encontrar


E de repente, me vi envolvida
Em palavras, atos arrebatadores
Seu jeito meigo que me convida
A provar novos sabores


E em ti me pego a pensar
Que loucura deixar-me envolver
Pelo motivo que me leva a sonhar
Que há pouco, não pensava em conhecer.

Desabafo



E o tempo se passa em demasia
Num soluço de agonia entre tristeza
Levando solavancos de apatia
Acompanha-me esta tua frieza

E que venha então o afastamento
Que nos toma tão lentamente
Subordinando os meus pensamentos
O amor que teria por ti supostamente

Louco devaneio é este o teu
De pensar que tudo é felicidade
Desmeresses o peito meu
Que tanto lhe pede a verdade

Sabes que a culpa não vem de mim
Me admita que fazes-me mal
Continua no caminho de um fim
Transformando nossa história, em banal

Ajuda minha terás por certo
Porém sozinha não se chega além
Como poderei manter-lhe perto
Se por vezes, me tratas com desdém?

Lembre-se que o tempo não é durável
Que o dia passa e outro vem
Então te tornes alguém admirável
Pois assim como o dia, eu vou também.

...



De tanto que me tens, não dá valor
De tão pouco que me cuidas, logo perderá
Para onde se caminha um louco amor
Onde o fogo em cinza se transformou

Com tão belas palavras me cativaste 
Rosto exótico, quase angelical
Gestos amigáveis me demonstraste
Mas sabia eu que és quase fatal

Que num momento, tudo transforma
Mudando para sim o que era não
Como se tuas palavras fossem normal
Confundindo o que há no coração

Me fazendo ser o que não era
E agora não penso no certo
Deixa-me o inverno, vem a primavera
Trazendo chuva ao meu deserto

Eu sei bem que tudo se vai
Que onde há terra nascem flores
Do eterno amor, a lágrima cai
Então desperta-se todas as dores

Meu bem, eu sei, tu que cuidas de mim
Me dás o amor que nunca tive
Porém não faças mais assim
Trazer a dor a quem por ti vive

- Lembras da vida como era?
Passar os dias sempre a amar
Nada da história de bela e fera
E mesmo com pouco festejar...

Com o tempo, tudo se contraria
Talvez o amor transforme por certo
Linda noite, torpe dia
Querer ver longe o que está perto

Portanto não quero ao menos pensar
Teu corpo quente em outros braços
Outros lábios gentis a beijar
Perdemos tudo em outro acaso

Não quero que vás, sabes do que digo
Partiria meu coração, eu morreria
Pois és amante, és também amigo
Sem ti não há mais alegria

Por isso rogo-lhe: anjo volte a ser
Sê demônio em horas certas
Que o fogo venha a palha acender 
As portas ainda estão abertas

Como amigos, amantes então
Sendo teu corpo no corpo meu
Apenas nós e a paixão
Nossa casa, meu travesseiro no peito teu.



Partida



Me disseste para não julgar
Não julgá-lo incapaz de amar
Então assim o fiz

Tampouco sabia eu da imprecisão
De um tão pobre coração
Que nem ao menos é feliz

Chegas e transborda sorrisos
Gestos e olhares um tanto imprecisos
E somes deixando ausência sombria

Quem dera a distância fosse desculpa
Mas bem sabes que é tua culpa
Ao transformar o afeto em antipatia
Depois de ocorrido
Você volta arrependido
Fingindo estar tudo bem

Meu bem, não te apavora
Se eu te mandar embora
Pois foi você que me fizeste enxergar além.