sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Luto



Sinto-me viúva deste sonho
De luto por esse amor
Tanto dele eu apanho
Que em mim transborda torpor

Encerro em meu peito o sentimento
Um enterro mais que silencioso
E da via eu me isento
Carregando este fardo doloroso

Um gosto amargo feito fel
Meus sentimentos já transfigurados
A dor tapa com seu véu
O meu corpo tão debilitado

A calma e a sensação de estar só
Velo a lembrança que também se vai
Até minha mente me abandona sem dó
E por meus poros a alegria se esvai

Eu velo a minha própria alma
Pessimista, carrego a desilusão
Abandonei a velha calma
Que me levava pela mão

Eu sou como uma flor
Que seca, desfolha e cai
E logo floresce com cor
Da semente nova vida sai.

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