quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Insanidade



Abraça-me anjo da noite
Leva contigo essa dominadora solidão
O frio de que é feito meu catre
Que me envolve, sem compaixão

Esta desejo de ter-te por inteiro
Torna-se uma contínua obsessão
Tua presença inunda, conforta
Necessidade de minha doentia ilusão

Não o deixo em paz, em sonho
E nem a solidão deixa a mim
A confusão - do real ou não - deixa-me louca
Tudo o que vejo é negro. não mais carmim

É minha insanidade, minha doença
A paixão realmente nos rouba o pensar
O amor é deveras ladrão, egoísta
Sem ver meios só quer dominar

Essa noite eu vi teu rosto
Ao sorrir para mim, bela imagem
Pisquei um segundo e você se foi
E para encontrar-te, me perder tenho coragem

Me ponho então, em meu leito
Agarro a faca, encontro-me iludida
Se a meu lado não posso tê-lo, anjo
Terei-o então após a vida.

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